Podcast

O autor luxemburguês, Guy Helminger, fala com a direitora do Centro Nacional de Literatura (CNL) de Luxemburgo, Nathalie Jacoby, sobre seu livro “Neubrasilien”, suas viagens ao Brasil e os laços entre Luxemburgo e Brasil:

Guy Helminger


Transcrição Podcast:

NJ
: Bom dia. Meu nome é Nathalie Jacoby e sou diretora dos Arquivos Literários de Luxemburgo, ou CNL, para abreviar. A CNL coleta e arquiva tudo o que tem a ver com literatura em Luxemburgo e autores de Luxemburgo. Somos também um instituto de pesquisa e publicamos regularmente artigos e estudos literários. Também apoiamos a literatura contemporânea e organizamos leituras e exposições em nosso instituto, a “Casa Servais”, o lar ancestral da família Servais que originalmente data do século XVIII. A literatura luxemburguesa é e sempre foi, e isto é talvez um pouco incomum para a Europa, uma literatura multilíngüe. Desde seu início, existem três idiomas que desempenham um papel importante na literatura luxemburguesa: alemão, luxemburguês e francês. Portanto, não é raro que importantes autores luxemburgueses escrevam em alemão e estou feliz que Guy Helminger esteja aqui hoje para falar conosco sobre literatura e sua relação com o Brasil.

GH: Olá.

NJ: Guy Helminger nasceu em 1963 em Esch-Alzette. Essa é uma cidade no sul de Luxemburgo, uma área que historicamente já tinha laços com o Brasil por causa da indústria siderúrgica. Guy Helminger começou a escrever desde cedo, também trabalhou como artista gráfico e ator, e é um apresentador freqüente. Ele é um poeta, dramaturgo e romancista, e também é conhecido por seus contos trincheiros. E ele tem conexões com o Brasil.

GH: Sim relações, sim. Enfim, eu adorava estar lá. Eu mesmo estive lá em abril de 2019 e também como parte da Semana da Língua Alemã no Brasil, no contexto da qual esta entrevista está ocorrendo agora aqui. E fui convidado a fazer leituras em vários Institutos Goethe, mas também em outras instituições, para apresentar partes do meu trabalho. Mas Fiquei tão fascinado que também queria muito fazer uma espécie de diário de viagem. Eu publiquei tais diários de viagem sobre o Iêmen e o Irã. E eu queria fazer algo semelhante em relação ao Brasil. E ficou absolutamente claro para mim que eu não iria necessariamente visitar o que os turistas visitam de qualquer maneira. Não posso dizer nada de novo sobre isso. Já existe muita informação. Mas posso mostrar outras coisas. Projetos, por exemplo. Em creches nas favelas ou também, ajudei uma noite em um restaurante para os sem-teto ou pessoas que vêm de origens precárias. E isto não é uma cozinha básica, mas realmente um restaurante de três estrelas onde as pessoas se sentam e são servidas à mesa como se fossem, por isso também tem algo a ver com dignidade, e não apenas com comida. E a comida também era ótima. Então eu estava ... Eu podia comer depois que todos tinham comido e era muito, muito saboroso. Eles são realmente bons cozinheiros que fazem isso. Ótima iniciativa. Foi o que eu fiz.

NJ: Isso é o que distingue seus periódicos de viagem. Você também escreve blogs sobre diferentes países. Você acabou de dizer que esteve no Iêmen, portanto não são necessariamente lugares para os quais todos viajam. Foi a mesma coisa no Brasil? Tenho certeza de que você não estava apenas nos bastiões turísticos?

GH: Não, não. Como eu disse, visitar a favela é interessante quando se fala com pessoas diferentes. Porque você também entra em uma realidade completamente diferente. Você entra, tem que abrir janelas do seu carro para que eles possam ver quem está dirigindo pela favela. E então, na primeira esquina, os primeiros vêm na sua direção com Kalashnikovs e coisas assim. E isso já é, claro que é novidade, mas eu também fui a Manaus, por exemplo, e lá estava eu também, procurando alguém que pudesse me mostrar bairros onde há simplesmente algo interessante, onde a vida é e não a vida da vitrine, mas realmente onde as pessoas estão tentando sobreviver, mas também descobri coisas como o carnaval, tão pequenos enclaves do carnaval local. Foi quando eu comecei a falar com essas pessoas, então....

NJ: Desculpe. É preciso dizer que Guy vive em Colônia há muito tempo e também é um grande fã do carnaval, como se costuma dizer lá e

GH: com certeza

NJ: então essa foi certamente uma experiência especial no carnaval brasileiro. Como você se prepara para estas viagens porque, como eu disse, você não frequenta lugares turísticos, o que significa que você sempre encontra pessoas lá e às vezes você vive nas casas das pessoas. Em seus diários de viagem, lê-se sempre de novo como você faz novos amigos, como você conhece as pessoas às vezes simplesmente na rua, que depois o convidam para que você também tenha uma visão da vida, da vida cotidiana.

GH: Sim, isso também é muito importante para mim, esses encontros diretos. Preparativos, eu diria, é claro, que li algo sobre política e sobre história, mas caso contrário, tento excluir completamente minhas expectativas, por exemplo, e depois simplesmente ir até lá e dar a volta muito abertamente. E isso é ... Bem, eu experimentei isso em todos os países onde estou, quando vou a algum lugar onde me destaco, porque não são tantas pessoas da minha espécie que vêm lá agora, então as pessoas olham para mim. E assim que alguém olha para mim por um segundo a mais, eu imediatamente vou até eles e digo "Você se pergunta por que estou aqui ou algo assim"? “Hum, sim”. E assim sendo estamos em conversa. Por outro lado, há também pessoas que ficam surpresas e depois se aproximam de você e lhe perguntam diretamente. Mas você tem que estar aberto e ter muito tempo. E eu tive experiências extremamente boas com isto. No Iêmen, por exemplo, eu simplesmente participei de um cortejo fúnebre para aprender algo sobre os rituais, e no Brasil, é claro, eu também recebi ajuda das pessoas que me receberam, incluindo a embaixada de Luxemburgo, e lhes disse que achei interessante, e então eles também me deram sugestões, e tudo isso foi ótimo. E eu pude fazer muito com isso e também espero que meu jornal de viagem seja finalmente publicado no outono.

NJ: Você não estava lá [no Brasil] apenas como escritor e experimentador, mas também como leitor. Você também fez leituras no Brasil. Você leu em alemão? Isso foi traduzido? Como se deve imaginar isso?

GH: Sim, eu li em alemão nos Institutos Goethe, mas também em outras instituições. Li uma vez por exemplo, que foi bem interessante para pessoas bem jovens que tinham acabado de aprender alemão. Li uma história para eles e é claro que foi difícil. Eles fizeram perguntas e depois eu a resumi novamente e assim por diante. Portanto, foi mais como um seminário. Mas isso foi bom, isso foi interessante. E, mas eu também li, uma vez em uma prefeitura, que estava no caminho, onde muitos alemães emigravam naquela época. E depois eu apenas conversava com eles. Então, isso também sempre foi bastante variado no que diz respeito aos tópicos.

NJ: Essa é também uma das razões pelas quais estamos sentados aqui; é a importância da língua alemã ou a conexão entre o alemão e o Brasil. Assim, você também acumulou experiência sobre a importância do alemão no Brasil hoje.

GH: Sim, o que é interessante é que uma vez escrevi um romance chamado "Neubrasilien" (Novo Brasil), que era sobre pessoas que queriam emigrar de Luxemburgo. E naquela época, não havia diferença se você vinha daquela região ou não. Não importava se você vinha da Suíça, da Suíça de hoje, do Luxemburgo de hoje ou da Alemanha. Eram todos alemães, porque se entendiam e porque falavam dialetos semelhantes, e foi assim quando essas pessoas chegaram ao Brasil. E é por isso que ali falamos de assentamentos de língua alemã. Por isso, é preciso dizer que quando eu... eu os visitei. Bem, no meu romance é assim, que muitos dos ... ou todos os emigrantes não chegam ao Brasil e têm que voltar, e hum... mas naquela época, em 1828, 1824, houve Luxemburgueses e Alemães que chegaram ao Brasil. E se estabeleceram em diferentes lugares, entre outros em Santa Catarina, em uma aldeia que hoje se chama Pedro de Alcântara. E isso é simplesmente interessante. Em resumo, eu estava onde meus personagens nunca chegaram.

NJ: Sim, vamos falar um pouco sobre esses personagens. Seu romance "Novo Brasil", que saiu em 2010 na editora Eichborn e foi recentemente republicado pela Capivara Books em Luxemburgo, conta duas histórias diferentes, mas muito semelhantes, duas vertentes históricas diferentes. Por um lado, temos a história de uma família montenegrina, a família Kaljevich, que vem de Montenegro para Luxemburgo em busca de asilo. Isso acontece por volta do final do século XX, portanto, por volta da virada do milênio e, por outro lado, nós temos, e você já aludiu a isso e já deu a entender, no início do século XIX, uma família luxemburguesa tentando partir para o Brasil. Você pode nos dizer um pouco o que acontece com esta família.

GH: Bem, foi uma época em que muitos sofreram sob as circunstâncias políticas após o Congresso de Viena em 1815, onde Luxemburgo era de fato governado pelos holandeses e eles consideravam o que hoje é chamado de Luxemburgo como uma província holandesa e o sangraram em termos de impostos. E é por isso que muitas, muitas pessoas tentaram fugir para os EUA, mas também, é claro, para o Brasil. Mas havia, e o Brasil não era independente de Portugal por muito tempo e o Imperador Dom Pedro realmente queria ter pessoas de fora para cultivar a terra e assim todos pensaram que agora vamos para a terra prometida porque não vamos pagar impostos por 10 anos, vamos conseguir gado e assim por diante. Mas a realidade era que, enquanto isso, tantos já estavam por lá que Dom Pedro não queria mais estrangeiros. Mas algumas das pessoas que queriam emigrar não sabiam disso ou não queriam saber disso porque havia cartazes em Remich e em todo lugar em Luxemburgo dizendo que não se podia atravessar, mas muitos deles partiram, levaram o barco para Wesel, para a Alemanha, depois a pé para o Brasil, para Bremen, e lá ficou claro que eles não vinham. E eles tinham vendido sua fazenda e com ela, se você estava disposto a emigrar, você perdeu sua nacionalidade, sua cidadania, e agora eles estavam presos em Bremen e pouco a pouco o resto do dinheiro foi embora porque eles tinham que sobreviver e em algum momento eles disseram a si mesmos, nós estamos voltando. E no final voltaram para a área onde haviam saído antes, mas não puderam voltar para suas fazendas que haviam sido vendidas e não foram mais aceitas, mas agora eram os brasileiros. Eles eram, é claro, os velhos vizinhos, mas eram chamados de brasileiros, que naquela época ainda era considerado um palavrão, e viviam lá em buracos no chão e construíam cabanas de vassouras. Foi muito, muito miserável. E a partir daí desenvolveu-se uma aldeia e ainda se pode descobrir este lugar em mapas antigos daquela época e chamava-se Novo Brasil e esse é também o nome do meu romance.

NJ: Hoje este lugar é chamado Grevels. É uma bela aldeia no norte de Luxemburgo, mas naquela época era como você diz, era entre três municípios, então você podia recuar um pouco, está em um dos pontos mais altos de Luxemburgo. Portanto, é um pouco inóspito com, no inverno, muito vento e frio, portanto, não é a terra prometida do Brasil que esses emigrantes esperavam. Com este romance, além de suas qualidades literárias, acho que você redescobriu para Luxemburgo um pedaço de história que muitos, muitos luxemburgueses não sabiam nada sobre. Então eu também descobri toda esta história através deste romance e depois notei em conversas com membros da família que o termo "Novo Brasil" ainda era um termo para muitos na geração mais velha, mas desapareceu com o tempo. E em seu romance, Brasil, Novo Brasil, que é então mais do que este momento histórico, mas que também tem significado para nós hoje. Assim, para os emigrantes de hoje, a idéia do Brasil da utopia é então também para os Kaljewitschs, que então se torna Luxemburgo. Ou seja, temos tal movimento, sim, de... um movimento de emigração que continua de oeste para oeste, não, de leste para oeste, depois de oeste para leste e de volta que determina todo o romance.

GH: Sim, sim, é isso mesmo. Também notei que quando eu estava fazendo pesquisa, que foi há muito tempo atrás, que muitas pessoas nesta aldeia não queriam falar sobre esta história, porque é claro que havia preconceitos. Minha mãe me disse que até os anos 60 sempre se dizia para nunca dirigir por ali, caso contrário, você sairia nu. E, claro, isso tinha a ver com o fato de que naquela época, quando as pessoas eram muito pobres há 100 anos, roubavam batatas dos campos e assim por diante para sobreviver, mas depois isso continuou como um preconceito. E as pessoas estavam simplesmente fartas disso, sim isso é verdade, sim isso é o que eu achei interessante, que não era conhecido entre outras coisas também porque a própria aldeia não queria nada disso. Naquela época havia um político e também os bombeiros, eles tinham publicado um folheto e estavam preparados para falar sobre isso. Mas hoje existe um centro cultural chamado Neubrasilien...

NJ: Hoje em dia acho que o romance tem algo a ver com o fato de que de repente havia um interesse real nele e que já existe um, sim, agora também estamos mais longe dele e que novamente, é interessante como as palavras mudam, agora ele tem novamente o som do exótico, do interessante.

GH: Mas acho que também tem muito a ver com migração, porque isso se tornou um tema tão grande e hoje sempre se diz que todos estão vindo para a Europa Ocidental, mas houve um tempo em que as pessoas queriam sair da Europa Ocidental, sim, e você só tem que ter isso em mente, sim, só tem que ter em mente que nem sempre foi como é hoje e talvez então você verá todos esses desenvolvimentos de uma maneira mais diferenciada.

NJ: Queremos ouvir um trecho deste romance em uma tradução em português. O romance também será publicado por uma editora brasileira em junho.

GH: Sim, em junho ainda não. Na verdade, há dois outros livros meus que saem em junho desta editora brasileira, que são "Algo está sempre faltando" e "Ferrugem". Mas a tradução de "Neubrasilien" ainda está sendo trabalhada e será publicada, não sei, talvez no final do ano ou talvez no ano que vem por a editora Bestário.

NJ: Marina Oliveira vai nos ler o trecho.

Excerto lido

NJ: Sim, este trecho descreve a partida em Remich. A partida de fato de Luxemburgo da qual os emigrantes devem assumir que nunca mais a verão. Tal viagem no início do século XIX para o outro lado do Atlântico foi uma mudança de vida que não podia ser revertida. E acho que isso também é lindamente retratado aqui. Você quer nos contar um pouco mais sobre o romance?

GH: Sim, é assim, esta cena que é retratada, é apenas esta chamada onde todos ainda acreditam realmente nesta utopia, onde esta alegria está lá para ter algo novo, que naturalmente também surgiu porque antes disso, é claro, algumas pessoas já a tinham criado. E como sempre acontece quando se tenta chegar a um lugar novo, então não se escreve a seus parentes em casa que tudo é ruim e terrível, porque na realidade, é claro, eles têm campos que estavam cheios de pedras. Era extremamente difícil sobreviver. Os nativos que lá viviam, os povos antigos, claro que não queriam que suas terras lhes fossem tiradas e assim por diante, ou seja, era muito, muito difícil. Mas o que eles escreveram em suas cartas? Aqui tudo é ótimo, encontramos se ararmos os diamantes de terra. Há fruta aqui, se você a cortar, há a imagem de Jesus nela e assim por diante. Então, o paraíso foi feito dele ne. E isso é algo que, naturalmente, estimula aqueles que ficaram em casa, que a situação era difícil, mas os estimula a fugir. O que também acho interessante é que há muito tempo existem relações entre Luxemburgo e Brasil, então talvez tenha sido aí que começou, mas há 110 anos existem relações diplomáticas entre Luxemburgo e Brasil. E você já mencionou que a indústria siderúrgica também se firmou no Brasil, vindo de Luxemburgo e da Bélgica. E não sou o primeiro a querer publicar uma revista de viagens deste tipo. Já havia Norbert Jacques, o autor de "Doutor Mabuse", que não é muito popular aqui em Luxemburgo, porque ele fez alguma propaganda nacional-socialista durante a Segunda Guerra Mundial. Mas ele publicou um livro em 1911 chamado "Heiße Städte" (Cidades Quentes), que mais tarde foi publicado novamente como "Heißes Land" (País Quente) e que foi uma revista de viagem sobre sua primeira visita ao Brasil. E em 1925 ele fez outro livro, que se chamava "Neue Braslienreise" (Nova viagem no Brasil), então ele estava na estrada novamente. Portanto, há muitas conexões entre Luxemburgo e o Brasil.

NJ: Norbert Jacques também foi um grande escritor de viagens, por isso, fizemos um círculo completo. Será que o círculo também se fecha na idéia do Brasil como uma utopia em uma idéia exótica que talvez todos ainda tenhamos em mente?

GH: Bem, eu não sei. Não creio que haja um país que seja uma utopia. É apenas uma bela idéia, mas não é verdade. O Brasil é tão belo quanto tem seus momentos, é claro que também tem seus momentos problemáticos. Portanto, se é político, sabemos o que está acontecendo com a Amazônia, sabemos como as diferenças entre ricos e pobres e assim por diante, mas também há muitos projetos lá, há muita beleza lá, há, é claro, uma literatura incrivelmente boa lá e assim por diante. Mas eu jamais poderia dizer que qualquer país do mundo é, sim, um paraíso. Um paraíso sempre tem o inferno preso à sua bochecha.

NJ: Acho que essa é nossa declaração final. Sim, muito obrigado. Depois que descobri o "Novo Brasil" aqui em Luxemburgo através de seu romance há alguns anos, você realmente me fez querer descobrir o Brasil. Infelizmente, eu nunca estive lá. Pelo menos...

GH: É ótimo. Vale a pena fazer uma grande viagem.

NJ: Definitivamente através de seu novo diário de viagem que, espera-se, sairá em breve e depois talvez de forma adequada. Eu desejo. Em todo caso, muito obrigado por conversar conosco.

GH: Você é bem-vindo

NJ: e sim tchau.

GH: Tchau.


Transkript Podcast:

NJ: Guten Tag. Mein Name ist Nathalie Jacoby und ich bin die Leiterin des luxemburgischen Literaturarchivs, kurz CNL. Das CNL sammelt und archiviert alles was mit Literatur in Luxemburg und Autoren aus Luxemburg zu tun hat. Darüber hinaus sind wir ein Forschungsinstitut und publizieren regelmäßig literaturwissenschaftliche Artikel und Studien. Wir unterstützen auch die zeitgenössische Literatur und organisieren Lesungen und Ausstellungen in unserem Institut, der Maison Servais, dem Stammhaus der Familie Servais das ursprünglich aus dem 18. Jahrhundert stammt. Luxemburgische Literatur ist und war immer schon, und das ist vielleicht etwas ungewöhnlich für Europa, eine mehrsprachige Literatur. Seit den Anfängen sind es drei Sprachen die in der luxemburgischen Literatur eine wichtige Rolle spielen: Deutsch, Luxemburgisch und Französisch. Somit ist es nicht außergewöhnlich, dass wichtige luxemburgische Autoren auf Deutsch schreiben und ich freue mich, dass Guy Helminger heute hier ist um mit uns über Literatur und seine Beziehung zu Brasilien zu sprechen. Guten Tag.

GH: Hallo.

NJ: Guy Helminger wurde 1963 in Esch-Alzette geboren. Das ist eine Stadt im Süden Luxemburgs, eine Gegend die aufgrund der Stahlindustrie historisch bereits Verbindungen zu Brasilien hatte. Guy Helminger hat schon früh angefangen zu schreiben, hat daneben als Grafiker und Schauspieler gearbeitet und ist vielfach als Moderator tätig. Er ist Lyriker, Dramatiker und Romancier und auch für seine pointierten Kurzgeschichten bekannt. Und er hat Beziehungen zu Brasilien.

GH: Ja Beziehungen, ja eigentlich schon. Also jedenfalls war ich sehr gerne da. Ich war selbst im April 2019 da und zwar auch im Rahmen der Woche der deutschen Sprache in Brasilien in dessen Rahmen ja auch dieses Interview jetzt hier stattfindet. Und ich war eingeladen in verschiedenen Goethe Instituten aber auch anderen Institutionen Lesungen zu machen, Teile meines Werkes vorzustellen. Aber ich war so fasziniert, dass ich auch unbedingt eine Art Reisejournal machen wollte. Ich habe solche Reisejournale ja über den Jemen und über den Iran publiziert. Und so etwas wollte ich auch über Brasilien machen. Und da war es für mich auch völlig klar, dass ich halt jetzt nicht unbedingt das mir anschaue, was Touristen sich sowieso anschauen. Darüber kann ich nichts Neues erzählen. Das kann man ja überall nachlesen, aber eben andere Dinge. Also Projekte beispielsweise. Kinderhorte in Favelas oder auch, ich habe einen Abend ausgeholfen in einem Restaurant für Obdachlose oder Menschen die aus prekären Verhältnissen kommen. Und das ist keine Suppenküche, sondern wirklich ein Drei-Sterne Restaurant wo die Leute dann sitzen und die werden bedient am Tisch als wären sie, also es hat eben auch was mit Würde zu tun, und nicht nur mit Essen. Und das Essen war auch super. Also ich habe … ich durfte dann nachdem alle gespeist hatten auch essen und es war sehr sehr lecker. Das sind auch richtig gute Köche die das machen. Tolle Initiative. So was habe ich dann halt gemacht.

NJ: das zeichnet ja insgesamt deine Reisejournale aus. Du schreibst auch Blogs über verschiedene Länder. Du hast gerade schon gesagt du warst auch im Jemen, also auch nicht unbedingt Gegenden in die jeder reist. War das in Brasilien auch so? Du warst sicher nicht nur in den Tourismushochburgen?

GH: Nein, nein. Wie gesagt, also der Besuch der Favela ist schon interessant, wenn man sich da mit verschiedenen Leuten unterhält. Weil man auch in eine ganz andere Realität hineinkommt. Also man kommt da rein, man muss die Fenster runtermachen vom Auto, damit die reinsehen können wer da in die Favela reinfährt. Und dann um die erste Ecke kommen dir die ersten mit Kalaschnikows entgegen und solche Sachen. Und das ist schon, das ist natürlich neu ne, aber ich war auch nachher bin ich nach Manaus zum Beispiel gefahren und da war es auch, da habe ich mir jemanden gesucht der mir auch Viertel zeigt könnte wo einfach etwas Interessantes ist, wo das Leben ist und nicht das Vorzeigeleben, sondern wirklich wo Menschen versuchen zu überleben aber da habe ich dann auch Dinge entdeckt wie die den Karneval ja so so kleine Enklaven von lokalem Karneval. Da habe ich mich mit diesen Leuten unterhalten, also…

NJ: Entschuldigung. Dazu muss man sagen, dass Guy schon seit langem in Köln lebt und auch durchaus ein Karnevalsjek wie man dort sagt ist und

GH: aber sicher dat

NJ: so dass das sicher eine besondere Erfahrung war im brasilianischen Karneval. Wie bereitest du dich auf diese Reisen vor, denn du gehst ja nicht wie gesagt du gehst nicht sehr touristisch vor, das heißt du lernst dort auch immer Leute kennen und manchmal lebst du auch bei Leuten zuhause. In deinen Reisetagebüchern liest man immer wieder wie du neue Freundschaften schließt, Leute auch manchmal einfach so auf der Straße kennenlernst, die dich dann einladen so dass du dann auch einen Einblick eigentlich in das Leben, das alltägliche Leben bekommst.

GH: Ja, das ist mir auch sehr wichtig dieses, diese unmittelbaren Begegnungen. Vorbereitungen, ich würd sagen klar ich lese was über die Politik und über die Geschichte aber ansonsten versuche ich eigentlich meine Erwartungen zum Beispiel komplett auszuschließen und dann einfach hinzugehen und einfach sehr sehr offen rumzugehen. Und das ist … Also ich habe das so erlebt in jedem Land wo ich bin, wenn ich irgendwo hingehe wo ich auffalle dadurch, dass halt nicht so viele Menschen meines Schlages jetzt dahin kommen dann schauen die Leute einen an. Und sobald mich jemand eine Sekunde zu lange anschaut, gehe ich sofort auf den zu und sage „Du wunderst dich warum ich hier bin, oder so?“ Err ja. Und so und schon sind wir im Gespräch. Umgekehrt gibt’s aber auch eben, dass Leute die erstaunt sind und die dann einen ansprechen, direkt fragen ne. Aber man muss halt offen sein und man muss viel Zeit mitbringen, ne. Und ich habe damit extrem gute Erfahrungen gemacht. Teilweise versuche ich auch ganz bewusst irgendwo mitzugehen, also im Jemen zum Beispiel habe ich mal mich einfach einer Begräbnisprozession angeschlossen um ja etwas über die Rituale zu erfahren und in Brasilien war es so dass ich natürlich auch Hilfe bekommen hab von den Leuten die das organisiert haben für mich, unter anderem die luxemburgische Botschaft, und denen ich gesagt habe das fände ich interessant das und dann hatten die auch Vorschläge und das war alles ganz toll. Und da konnte ich sehr sehr viel daraus machen und ich hoffe auch, dass mein Reisejournal jetzt im Herbst dann auch endlich erscheinen kann.

NJ: Du warst nicht nur als Schreibender und Erlebender da, sondern auch als Lesender. Du hast da auch Lesungen gemacht in Brasilien. Hast du auf Deutsch gelesen? Wurde das übersetzt? Wie hat man sich das vorzustellen?

GH: Ja in den Goethe Instituten habe ich auf Deutsch gelesen aber auch in anderen Institutionen. Es gab schon teilweise, ich hab zum Beispiel einmal gelesen, das war ganz interessant, das waren ziemlich junge Leute die gerade erst Deutsch gelernt haben, bei denen habe ich eine Geschichte vorgelesen und die war natürlich schwer und dann wurde die und dann kamen Fragen und dann habe ich die noch mal zusammengefasst und so. Das hatte also mehr etwas von einem Seminar. Aber das war gut, das war interessant. Und, aber ich hab auch in, einmal in einem Rathaus gelesen, das war auf dem Weg halt, dahin wo eben auch viele Deutsche damals emigriert sind und dann habe ich mich halt mit denen unterhalten. Dann, das hat auch immer ganz variiert was die Themen dann angeht.

NJ: Das ist ja auch ein Grund warum wir hier sitzen ist die Bedeutung der deutschen Sprache oder der Zusammenhang von Deutsch und Brasilien. Also da hast du dann auch Erfahrungen gesammelt dazu welcher Stellenwert dem Deutschen in Brasilien heutzutage zukommt.

GH: Ja, was interessant ist, ich hab ja früher mal nen Roman geschrieben „Neubrasilien“ und das ging ja darum, dass Leute aus Luxemburg emigrieren wollten. Und damals wurde kein Unterschied gemacht ob man jetzt, aus welcher Region man kam. Es war egal ob man aus der Schweiz, aus der heutigen Schweiz, aus dem heutigen Luxemburg oder Deutschland kam. Alles waren Deutsche, eben weil sie sich verstanden haben und weil sie ähnliche Dialekte gesprochen haben und so war das halt eben auch als diese Leute dann in Brasilien ankamen. Und deshalb spricht man eben da auch von deutschsprachigen Siedlungen. Wobei man sagen muss, als ich ... die habe ich dann besucht. Also, in meinem Roman ist es ja so, dass viele die ... oder alle Emigranten es nicht schaffen nach Brasilien zu kommen und wieder zurückgehen müssen und ... es gab aber damals, also 1828, 1824 gab es aber Luxemburger und Deutsche die es geschafft haben nach Brasilien. Und die haben sich an verschiedenen Stellen angesiedelt, unter anderem in Santa Catarina, in einem Dorf das heute Pedro de Alcântara heißt. Und das ist einfach interessant. Im Endeffekt war ich jetzt da wo meine Figuren es nie hingeschafft haben.

NJ: Ja, sprechen wir ein wenig von diesen Figuren. Dein Roman „Neubrasilien“, der 2010 beim Eichborn Verlag herauskam und vor kurzem bei Capivara Books in Luxemburg neu veröffentlicht wurde erzählt zwei unterschiedliche und doch sehr ähnliche Geschichten, zwei verschiedene historische Stränge. Zum einen haben wir die Geschichte um eine montenegrinische Familie, die Familie Kaljewitsch, die aus Montenegro nach Luxemburg kommt und dort Asyl beantragt. Das spielt um die, ja Ende des 20. Jahrhunderts, also so um die Jahrtausendwende und andererseits haben wir, und du hast schon darauf und du hast es schon angedeutet, Anfang des 19. Jahrhunderts, eine luxemburgische Familie die versucht nach Brasilien auszureisen. Kannst du uns ein bisschen erzählen was dieser Familie zustößt.

GH: Also, es war halt eine Zeit in der viele unter den politischen Verhältnissen gelitten haben nach dem Wiener Kongress 1815 wo Luxemburg eigentlich de facto regiert wurde von den Niederländen und die haben halt was man heute Luxemburg nennt als niederländische Provinz angesehen und das steuermäßig auch ziemlich ausbluten lassen. Und deshalb sind viele, viele haben versucht wegzukommen in die USA, aber auch natürlich nach Brasilien. Aber es gab, und Brasilien war ja auch noch nicht lange unabhängig von Portugal und Kaiser Dom Pedro wollte damals tatsächlich Leute von außerhalb haben die das Land bestellen und deshalb dachten alle wir fahren jetzt ins gelobte Land, weil wir zahlen da 10 Jahre keine Steuern, wir kriegen Vieh und so weiter. Die Realität war aber, dass mittlerweile so viele schon drüben waren, dass es, dass Dom Pedro keine weiteren Ausländer mehr wollte. Das wussten aber zum Teil die Auswanderungswilligen nicht oder sie wollten es nicht wissen, weil es hingen sehr wohl Plakate in Remich und überall in Luxemburg, dass man nicht mehr rüber käme aber viele haben sich doch auf den Weg gemacht, sind dann mit dem Schiff bis nach Wesel, nach Deutschland, dann zu Fuß bis nach Brasilien erm nach Bremen und dort war klar, sie kommen nicht rüber. Und die hatten ihren Hof verkauft und damit auch, wenn man auswanderungswillig war, die Nationalität, die Staatsbürgerschaft verloren, und jetzt hingen die da in Bremen und nach und nach ging das restliche Geld weg, weil die ja überleben mussten und irgendwann haben sie sich gesagt wir kommen zurück. Und sind dann im Endeffekt wieder in die Gegend gegangen wo sie weggegangen waren vorher, konnten aber nicht mehr in ihre Höfe die verkauft waren und wurden auch nicht mehr akzeptiert, sondern, das waren nun die Brasilianer. Es waren natürlich die alten Nachbarn, aber die wurden als Brasilianer, das galt dann damals tatsächlich auch noch als Schimpfwort und die haben dann da in Erdlöchern gehaust und Ginsterhütten gebaut. Es war sehr sehr elendig. Und daraus ist ein Dorf entstanden und man kann halt eben noch auf alten Karten von damals diesen Ort entdecken und der hieß Neubrasilien und so heißt eben auch mein Roman.

NJ: Heute heißt dieser Ort Grevels. Es ist ein hübsches Dorf im Norden Luxemburgs aber damals war das wie du sagst, es lag zwischen drei Gemeinden, deswegen konnte man sich da ein bisschen zurückziehen, das liegt auf einem der höchsten Punkte in Luxemburg. Es ist also etwas unwirtlich mit, im Winter sehr viel Wind und Kälte, also nicht das gelobte Land Brasilien das sich diese Auswanderer erhofft hatten. Du hast mit diesem Roman neben seinen literarischen Qualitäten glaube ich für Luxemburg auch ein Stück Geschichte wiederentdeckt was viele, worüber viele Luxemburger nichts wussten. Also ich habe auch durch diesen Roman diese ganze Geschichte entdeckt und hab dann im Gespräch mit Familienmitgliedern gemerkt, dass der Begriff „Neubrasilien“ vielen noch ein Begriff war in der älteren Generation aber der ist halt eben mit der Zeit dann verschwunden. Und in deinem Roman bekommt ja auch Brasilien, Neubrasilien, das ist ja dann mehr als dieser historische Moment, sondern das hat Bedeutung auch für uns heute. Also für die Auswanderer heute, also die Vorstellung von Brasilien von Utopie ist ja auch für die Kaljewitschs dann, das wird dann Luxemburg. Das heißt wir haben so eine Bewegung, ja, von… eine Auswandererbewegung die von Westen weiter nach Westen, nein von Osten nach Westen, dann von Westen nach Osten und wieder zurück die den ganzen Roman bestimmt.

GH: Ja ja, das ist richtig. Ich habe auch gemerkt, dass damals als ich recherchiert hab, das ist ja jetzt schon lange her, dass in diesem Dorf viele über diese Geschichte gar nicht reden wollten, weil es natürlich Vorurteile gab. Also meine Mutter hat mir noch erzählt, dass bis in die 60er Jahre hinein immer gesagt wurde fahr da nie durch, sonst kommst du nackt raus. Und das hatte natürlich einfach damit zu tun, dass damals als die Leute sehr sehr arm waren vor 100 Jahren, dass sie natürlich Kartoffeln auf dem Feld geklaut haben und so weiter zum Überleben aber das ging dann als Vorurteil weiter ne. Und die Leute hatten einfach die Nase voll davon, ja das ist schon, ja das fand ich interessant, dass eben nicht bekannt war unter anderem auch weil das Dorf selbst das gar nicht wollte. Es gab damals einen Politiker und auch der Feuer, die Feuerwehr die hatten eine Broschüre rausgegeben und die waren bereit darüber zu erzählen. Heute gibt es aber ein Kulturzentrum was Neubrasilien…

NJ: Heutzutage ist glaube ich aus, hat der Roman auch was damit zu tun, dass plötzlich wirklich ein Interesse daran entstanden ist und dass schon auch eine, ja wir sind jetzt auch weiter davon weg ne und dass schon wieder, es ist interessant auch wie Wörter sich verändern, jetzt hat es wieder den Klang des Exotischen, des Interessanten.

GH: Aber ich glaube es hat auch viel damit zu tun einfach mit Migration, weil das so ein großes Thema geworden ist und heute heißt es immer, alle kommen nach Westeuropa, aber es gab eine Zeit da wollten die Leute aus Westeuropa weg, ja und das muss man sich einfach auch mal im Kopf, ja, einfach behalten, dass das nicht immer so war wie heute und vielleicht sieht man dann auch diese ganzen Entwicklungen ein bisschen differenzierter.

NJ: Wir wollen uns einen Ausschnitt anhören aus diesem Roman in einer portugiesischen Übersetzung. Der Roman wird im Juni auch bei einem brasilianischen Verlag erscheinen.

GH: Ja im Juni noch nicht. Im Juni kommen tatsächlich zwei andere Bücher von mir in diesem brasilianischen Verlag, nämlich „Etwas fehlt immer“ und „Rost“. Aber die Übersetzung von „Neubrasilien“ da wird gerade noch daran gearbeitet und die wird, ich weiß es nicht, vielleicht Ende des Jahres erscheinen oder vielleicht nächstes Jahr und zwar im Verlag Bestário.

NJ: Marina Oliveira wird uns den Auszug vorlesen.

Auszug gelesen

NJ: Ja dieser Auszug schildert den Aufbruch in Remich. Die Verabschiedung eigentlich aus Luxemburg von denen die die Auswanderer ausgehen müssen, dass sie es nie wiedersehen werden. So eine Reise am Anfang des 19. Jahrhunderts auf die andere Seite des Atlantiks war eine Veränderung der Lebensumstände die nicht mehr rückgängig zu machen war. Und das glaube ich wird hier sehr schön auch dargestellt. Willst du uns noch ein bisschen etwas zum Roman erzählen?

GH: Ja, es ist so dass, also diese Szene da die geschildert wird, das ist halt dieser Aufruf wo alle noch wirklich an diese Utopie glauben, wo diese Freude da ist etwas Neues zu haben was natürlich auch kam weil vorher hatten es natürlich schon einige schafft. Und wie das immer so ist, wenn man irgendwo versucht neu Fuß zu fassen, dann schreibt man seinen Verwandten zuhause nicht es ist alles schlimm und schrecklich, weil in Wirklichkeit haben die natürlich Felder gekriegt die voller Steine waren. Es war extrem schwer zu überleben. Die Einheimischen die dort gelebt haben, die alten Völker die hatten natürlich keine Lust ihr Land wegzu, dass man ihnen das Land wegnimmt und so weiter, das heißt, es war sehr sehr schwer. Aber was schrieben die in ihren Briefen? Hier ist alles toll, wir finden, wenn wir die Erde umpflügen Diamanten. Hier gibt es Früchte, wenn man die aufschneidet, dann ist das Bild Jesu drin und so weiter. Also es wurde das Paradies draus gemacht ne. Und das ist schon etwas was natürlich dann auch die zuhause Gebliebenen nochmal vielleicht anstachelt darüber hinaus, eben dass eben die Situation schwierig war aber ja sie anstachelt dann doch aufzubrechen. Was ich auch interessant finde, es gibt ja also schon so lange jetzt auch Beziehungen zwischen Luxemburg und das ist ja, also das fing vielleicht da an aber es gibt jetzt seit 110 Jahren schon diplomatische Beziehungen zwischen Luxemburg und Brasilien. Und du hast schon erwähnt die Stahlindustrie hat ja auch in Brasilien Fuß gefasst aus Luxemburg und Belgien kommend. Und ich bin ja auch nicht der erste der so ein Reise Journal veröffentlichen will. Es gab ja schon Norbert Jacques, also der Autor von „Doktor Mabuse“, der jetzt hier in Luxemburg nicht sonderlich beliebt ist, weil er damals im 2. Weltkrieg etwas nationalsozialistische Propaganda getrieben hat. Aber der hat 1911 schon ein Buch veröffentlicht das hieß damals „Heiße Städte“ und kam später noch mal raus als „Heißes Land“ und das war ein Reisejournal wie er zum ersten Mal nach Brasilien kam. Und 1925 hat er noch mal ein Buch gemacht, das hieß dann „Neue Brasilienreise“, also da war er dann noch mal unterwegs. Also es gibt ganz viele Connections zwischen Luxemburg und Brasilien.

NJ: Norbert Jacques auch ein großer Reiseschriftsteller, da schließt sich dann der Kreis. Schließt der Kreis sich auch in der Vorstellung von Brasilien als Utopie in einer exotischen Vorstellung die uns vielleicht allen noch vorschwebt?

GH: Also, ich weiß es nicht. Ich glaube es gibt kein Land was eine Utopie ist. Es ist einfach eine schöne Vorstellung aber das stimmt einfach nicht. Brasilien so schöne Momente es hat, hat natürlich auch seine problematischen. Also ob das politischer Natur ist, wir wissen was mit dem Amazonas passiert, wir wissen wie die Unterschiede zwischen arm und reich und so weiter, aber es gibt eben auch sehr viele Projekte da, es gibt sehr viel Schönes da, es gibt natürlich unfassbare gute Literatur da und so weiter und so fort. Aber ich könnte, ich würde niemals sagen, dass irgendein Land auf der Welt, ja, ein Paradies ist. Ein Paradies hat an der Backe immer die Hölle kleben.

NJ: Das ist glaube ich unser Schlusswort. Ja vielen herzlichen Dank. Du hast mir jetzt nachdem ich durch deinen Roman „Neubrasilien“ hier in Luxemburg entdeckt habe vor einigen Jahren mir auch richtig Lust gemacht auch mal Brasilien zu entdecken. Ich war da leider noch nie. Zumindest …

GH: Es ist toll. Es ist eine tolle Reise wert.

NJ: Auf jeden Fall durch deinen neuen Reisebericht der hoffentlich bald herauskommen wird und dann vielleicht auch mal richtig. Schön wär’s. Auf jeden Fall vielen herzlichen Dank für das Gespräch

GH: Bitte sehr

NJ: und ja Tschüss.

GH: Tschüss.